“Mudanças climáticas” sem meias palavras

Por Guilherme Ikeda, Ariel Sarout e Maria Hausner
17
setembro, 2019

Fonte: NASA. Variação na temperatura da superfície da Terra em relação à média das temperaturas de 1951-1983

Parte um: Evidências

Como tem falado a ativista Greta Thunberg (a jovem sueca que lidera o movimento pelo clima “Fridays for Future”): “É 2019. Podemos de uma vez chamar pelo que é? Colapso climático, crise climática, emergência climática, colapso ecológico, crise ecológica e emergência ecológica.”. Segundo cientistas, ONGs, ativistas e alguns meios de comunicação (como o jornal britânico “The Guardian”), esta é a linguagem que deveríamos utilizar para falar do contexto ambiental que estamos vivendo.

Portanto, não há mais tempo para promessas e discussões vagas. Segundo o relatório de 2018 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, temos até 2030 para reduzir as emissões de carbono em 45% se quisermos limitar a elevação da temperatura média da Terra a 1,5ºC - o que evitaria consequências catastróficas (sim, catastróficas) para o modo como vivemos hoje em dia.

Não há mais discussão. A ciência aponta para um consenso: estamos passando por uma crise climática, seus impactos já estão sendo sentidos em diversos lugares do mundo e a atividade humana é a principal causa.

Dentre as principais evidências que comprovam a crise climática, a NASA, em sua página direcionada ao tema cita o seguinte:

• O NÍVEL DE CO2 no ar está no ponto mais alto dos últimos 650.000 anos (lembrando que ele é um dos gases que contribuem para a retenção de calor na Terra e seu consequente aquecimento);

• Em 2018 já foi registrado um AUMENTO DE 0,8ºC NA TEMPERATURA MÉDIA da superfície da Terra em relação ao período utilizado como parâmetro;

• 18 dos 19 ANOS MAIS QUENTES de que se tem registro aconteceram desde 2001;

• Em 2012, o NÍVEL DE RETRAÇÃO DO GELO ÁRTICO no verão foi o maior de que se tem registro até hoje;

• As MASSAS POLARES ESTÃO DIMINUINDO: entre 1993 e 2016, a Groenlândia perdeu 286 bilhões de toneladas de gelo por ano, enquanto no mesmo período, a Antártica perdeu aproximadamente 127 bilhões de toneladas de gelo;

• A TEMPERATURA DOS OCEANOS TAMBÉM TEM AUMENTADO, assim como o NÍVEL DO MAR - em média a elevação foi de mais de 20cm em todo o mundo no último século;

• Maior frequência e intensidade de EVENTOS EXTREMOS, como ondas de calor, furacões, tempestades, etc.

Para aprofundar, o jornal NEXO elaborou uma página online especial sobre o tema, que pode ser acessada aqui. E, além disso, produziu o vídeo abaixo para contextualizar, de modo resumido porém amplo, os principais aspectos do assunto:

Dito isso, não: a crise climática não é “fake news”, nem uma teoria da conspiração. Não há mais motivo para gerar polêmica, trazer “diferentes pontos de vista”, estimular posturas negacionistas. O site Skeptical Science, inclusive, lista os principais argumentos que buscam negar a crise atual e o que os cientistas têm a dizer sobre cada um deles.

É preciso agir ou as consequências serão graves e irreversíveis.

Para acompanhar: importantes eventos que enfatizam a urgência em tratar do tema acontecerão agora em setembro. São eles: a Greve Global pelo Clima, que acontece nesta sexta-feira, dia 20 de setembro - inclusive no Brasil, em diferentes cidades - e o Climate Action Summit 2019, evento da ONU que acontecerá no dia 23 de setembro em Nova York.

Para seguir: Nasa Climate Change (@nasaclimatechange), Climate Reality (@climatereality), Greta Thunberg (@gretathunberg) e Fridays for Future Brasil (@fridaysforfuturebrasil).

 

Sabemos que o assunto é complexo, porém urgente. Não hesitem em seguir a conversa com a gente.

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